O meu trabalho como diagramadora na Editora Lua Azul e minha experiência com o mercado editorial

Oi, internet. Tudo bem com vocês?

O post de hoje é para falar sobre a minha atuação profissional. Mais especificamente, com a diagramação e a confecção de capas de livros na Editora Lua Azul. Algumas pessoas me perguntaram qual o processo de se publicar um livro, e vou tentar explicar isso em um post por achar a plataforma mais abrangente do que um vídeo no YouTube, por exemplo.

Mas claro, se vocês quiserem muito um vídeo, podem me pedir aqui nos comentários ou no meu instagram (@carolinahaine) que a gente reconsidera!

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A Editora Lua Azul foi fundada em 2016 por Moacir Santos, que atualmente detém em seu nome o registro MEI (microempreendedor individual), para publicar os livros de sua esposa, Leca Haine. Os dois chegaram a essa decisão após experiências malsucedidas com editoras pequenas e seu descaso com autores independentes. Dessa forma, todas as etapas do processo de produção de um livro estão nas mãos deles e de Carolina Haine, filha do casal e única funcionária da empresa.

(Ficou bonito esse texto, né? rs)

Mas afinal, qual o problema com editoras pequenas?

Quando se vislumbra publicar um livro aqui no Brasil, a gente tende a pensar naquela figura do escritor glamouroso, que escreve placidamente em seu computador enquanto saboreia uma xícara de chá (ou café, porque somos um país movido a cafeína) e, a um clique de botão, envia seu original e a editora já apresenta todas as propostas de revisão, diagramação, capa, divulgação, sem que esse autor faça nada além de dedicar-se à escrita.

Lindo, não é? MAS ISSO NÃO EXISTE. Para alguns escritores, talvez esse cenário até proceda. Principalmente na atualidade, em que é preciso apenas ser um famoso na internet para receber milhares de propostas incríveis das grandes editoras. Mas a verdade é que eu, você e qualquer outro brasileiro comum que hoje decida escrever um livro irá trabalhar muito, muito e muito. E muitas vezes não ter seu trabalho reconhecido.

Vamos falar de números: caso um autor completamente desconhecido queira publicar um livro por uma editora pequena, o seu investimento inicial gira em torno de 5 mil reais. Esse dinheiro prevê apenas o serviço de capa, diagramação, às vezes uma revisão, e um número limitado de exemplares que o PRÓPRIO AUTOR terá que se desdobrar para conseguir vender. Ok, vendeu todos, e agora? Esse mesmo autor terá que comprar de sua própria editora os seus próprios livros e levá-los em livrarias pessoalmente, praticamente implorando por uma chance de divulgar seu trabalho.

E aí chega a coisa feia do negócio. A vasta maioria das livrarias brasileiras caga e anda para autores independentes. Em algumas é até possível encontrar livros que sejam mais fora do circuito comercial, porém a maioria investe apenas em best-sellers, autoajuda, infantis e todos aqueles que você consegue no catálogo de uma Lojas Americanas ou Avon da vida. Porém, é a partir desse momento em que caiu do céu e surgiu a mãe dos autores independentes, a Amazon.

Por que a Amazon é tão importante para o mercado editorial?

A Amazon é para os escritores independentes o que o YouTube foi para criadores de conteúdo em vídeo: uma mãezona que chegou abraçando todo mundo. Atualmente, é muito fácil escrever um livro e publicá-lo, com direito inclusive a ISBN gratuito (vamos entrar nos detalhes burocráticos de produção de um livro mais tarde). O site de Amazon, KDP (Kindle Direct Publishing), fornece uma série de ferramentas amigáveis até mesmo para quem nunca fez uma capa ou nem sabe o que é diagramação. Com elas, o autor publica, 100% gratuitamente, seu ebook e até mesmo seu livro, no que eles chamam de “capa comum” (sem orelhas), porém com impressão sob demanda.

A impressão sob demanda funciona da seguinte forma: a Amazon guarda em seu banco de dados as informações necessárias para a impressão daquele livro (arquivos em PDF, medidas, etc). Em seguida, ao surgir um comprador, a própria loja se encarregará de imprimir aquele único exemplar e mandá-lo para a casa de quem comprou. Essa é uma ótima forma de um autor independente se dar bem, pois o investimento da produção de seus livros será praticamente gratuita. Mas aí vem a parte mais complicada e cansativa do negócio: a divulgação.

Como fazer uma boa divulgação do meu livro?

Então, colega. Essa aqui eu também estou aprendendo. Se quiser se juntar a mim, podemos trocar figurinhas juntos. Mas se tem algo que posso atestar com convicção nesses dois anos de editora é que divulgação vai muito além de ficar postando nas redes sociais. A gente tem aquela doce e irrisória ilusão de que trabalhar com mídias sociais é muito fácil e qualquer um consegue fazer isso nos 30 minutos de intervalo do almoço. E essa é a maior mentira, inclusive algo que me fez quebrar muito a cara. A divulgação e a familiarização com mídias sociais muitas vezes é algo que o autor nem sabe, e para baratear custos, acaba tomando essa função para si. Aí mora o perigo, pois com tanta carga pesada, o tempo que seria gasto escrevendo mais livros vai por água abaixo.

É possível pagar sites como o Facebook e o Instagram para patrocinar posts. Essa forma de divulgação funciona bastante, tanto que até as grandes empresas diariamente pagam por isso, mas o maior problema nela reside no orçamento. É possível fazer propagandas a partir de valores bem simbólicos, como 10 a 15 reais. Mas uma propaganda legal e que dure bastante tempo custa no mínimo 200 reais. E ainda há a chance de poucas pessoas verem seu anúncio, afinal, tem  empresas pagando milhares de reais e competindo por aquele mesmo espaço.

Uma coisa que efetivamente funciona, embora seja a mais cansativa e a mais dispendiosa, é a participação em Bienais do Livro. Não tanto pelas vendas em si, mas sim pelos contatos. Ter contatos para quem trabalha nessa área é muito, muito importante. Dessa forma, é possível inclusive, conhecendo outros autores, compartilhar experiências, descobrir bons profissionais na área que possam te ajudar, etc.

É isso, galera. Vou ficando por aqui, mas nosso papo ainda não acabou. Ainda irei elaborar a segunda parte desse post, aguardem! 😉
Abraços,

Carol