Resenha: A ensaificação de tudo (Christy Wampole)

A ensaificação de tudo

 

WAMPOLE, Christy. A ensaificação de tudo. Revista Serrote. Disponível em: <http://www.revistaserrote.com.br/2013/06/a-ensaificacao-de-tudo-por-christy-wampole/>. Acesso em: 08 jul. 2013.

 

Panorama acerca das origens, tendências e supostas convenções do ensaio, o texto traça um paralelo entre a produção não-ficcional do século XVI e a informação contida em revistas e blogs. Wampole busca compreender e exemplificar o porquê de este gênero textual ser tão maleável, e ao mesmo tempo, tão consolidado na produção literária do século XXI.

O ensaio nasceu da necessidade de se registrar a produção experimental. Suas primeiras tentativas datam de 1580, por Michel de Montaigne. Futuramente, o termo seria cunhado por Francis Bacon para o inglês. A definição trouxe problemas, a partir do momento em que a prosa dos dois autores traçava objetivos completamente diferentes. Enquanto Bacon se atrelava a composições pomposas, Montaigne se aproxima mais da trivialidade, talvez uma peça-chave para a ensaística atual.

Uma das razões mais defendidas para a ensaificação de tudo, termo cunhado pela própria autora, é o trabalho do ensaísta ao repaginar um determinado assunto, se afastando da convicção. Isso o aproxima do leitor comum, que busca o mínimo de comprometimento e teme um posicionamento concreto. Em contrapartida, o bom ensaio convida o interlocutor a participar de sua estrutura, sem a pedante convenção presente em outros textos que delimita o desaparecimento do autor em sua própria obra.

Wampole explora, de forma bem humorada, o ensaio como parte integrante da vida do indivíduo contemporâneo, por meio de ações sucessivas e desconexas comicamente associadas ao déficit de atenção. A necessidade de se registrar experiências, pensamentos e opiniões, de preferência de maneira veloz, aproxima este gênero ao leitor despretensioso e ávido por doses de conhecimento.