Quarentenou

Pois é. Quarentenou.

Se você está lendo isso assim que esse post saiu, você sabe exatamente do que eu estou falando.

Se você está lendo um, dois, até três anos depois, provavelmente também vai lembrar do que se trata.

E se você está lendo isso décadas depois (o que eu imagino que seja uma Carolina do futuro revendo seus escritos ou algum jovem adolescente que não lembra dessa época e encontrou esse post ao acaso na imensidão da internet), seja bem vindo, sinta-se em casa e aceite um chá. É, eu prefiro chá a café.

Eu enrolei durante dias, semanas e inclusive um mês para escrever algo sobre esse momento de quarentena. Primeiro, porque o volume de páginas e mais páginas falando sobre esse tipo de conteúdo me deixaram exausta. Psicologicamente e inclusive fisicamente. Eu não sabia como abordar esse assunto, e acredito que eu não estava com a mínima vontade de esquematizar esse post da forma que esquematizo os posts desse blog. Todos costumam ter imagens, definições, estruturas em tópicos, etc. E, na real, isso não faz sentido.

Cinco dicas para superar a quarentena? Dez conselhos para quem está na quarentena? O que eu venho feito para me divertir na quarentena? Como ser produtiva na quarentena? Receitas imperdíveis para tentar na quarentena? O amor em tempos de quarentena? Como manter seus relacionamentos na quarentena? Encontrando Deus na quarentena? Melhores livros para ler na quarentena? Podcasts que tenho escutado na quarentena?

Seja sincero. Você se interessa?

Eu poderia vir aqui e fazer vários posts com várias imagens que encontrei num banco de imagens gratuito dizendo que você deve beber bastante água, fazer exercícios em casa, manter uma rotina de organização, cuidar das plantas e dos animais da sua casa, fazer receitas deliciosas com bastante macarrão com queijo e conforto, ligar sempre para o seu namorado ou namorada, fazer chamada de vídeo com os amigos, ler a Bíblia e buscar Deus dia após dia no secreto, ler livros edificantes mas também ler livros que te distraem, ouvir podcasts que te inspirem a ser uma pessoa melhor. Pronto, acabou o conteúdo, espero que gostem e até o próximo post!

Mas eu não estaria sendo verdadeira comigo mesma se tratasse o assunto dessa forma. Os primeiros dias de quarentena foram terríveis para mim. Eu tinha vontade de fugir de casa e sair por aí sem rumo. Foi muito difícil, mas agora depois de um mês, me sinto muito mais tranquila e adaptada à situação. Mas o que me fez me acalmar não foi uma rotina perfeita, até porque tenho muitas coisas a melhorar. Foi porque eu olhei para mim mesma pela primeira vez e, em vez de apontar quais foram as falhas que cometi ao longo do dia, eu me senti agradecida por ter realizado algo de bom.

Lavei a louça. Alimentei e cuidei das cachorras. Troquei minha roupa de cama. Reguei minhas plantas. Fiz minha oração da noite. Cuidei da minha pele. Toquei ukulele.

Nada extraordinário, nada difícil, nada que me glorifique. Sei que muitas pessoas têm uma rotina muito mais complexa que a minha. Sei que muita gente faz tudo isso e ainda aprende línguas, piano e treina pesado. Sei que muitos não podem ter o privilégio que eu tenho de ficar em casa com conforto e tranquilidade. Sei que existem várias pessoas de várias realidades distintas. Mas essa é a minha. E se eu não focar na minha própria realidade, ninguém pode fazer isso por mim.

Agora sim, espero que você tenha gostado do post e até a próxima.