Crônica: Minhas horas – #LecaHaine

relogio

Foto: Pixabay.com

 Acompanhar o mundo e o tempo de uma forma que todos acompanham. Essa é uma questão delicada. Difícil explicar que algumas pessoas veem o mundo em cores diferentes da paleta da maioria dos demais. Também é muito difícil explicar que muitas vezes o ar é irrespirável, apenas serve para encher os pulmões e assim manter uma vida morna. Decididamente, não se trata do mesmo ar daqueles que veem um novo amanhecer cheio de oportunidades a cada dia.

Maravilhoso seria se pudéssemos escolher o nosso próprio relógio. É claro que não o aparelho que se coloca no pulso ou na parede que todos conhecem, mas um relógio único e absoluto que medisse o tempo da forma que a pessoa desejasse. O meu teria uma manhã muito mais longa, com espaço para muitas xícaras de café até me despertar totalmente. E também um sol claro, mas tão claro que daria vontade de ficar debaixo dele apenas pensando na vida. O almoço seria mais lento, com direito a uma boa rede depois. O período da tarde, esse eu mataria na unha, ou melhor, nos ponteiros, pois andariam tão rápido quanto um bando de lebres famintas.

Depois do jantar, horas a fio de muito tempo para ler tudo o que eu quisesse. Podia ser o panfleto da caixa do correio, as notícias do dia na internet, o livro que o amigo presenteou no Natal, a revista de decoração preferida. Depois, muitas xícaras de chá adoçado com mel antes de um bom filme, porque ninguém é de ferro.

Dormir dependeria do dia, ou melhor, da noite.  O relógio teria que ser ajustado de acordo com o humor e com o clima. Noites chuvosas  teriam que ter um sono bem longo, com alguns rápidos despertar apenas para ouvir o barulhinho no telhado. Também deveriam ser longas as noites frescas, ao lado dos melhores amigos.  Já os compromissos sociais chatos, que a gente vai porque não saber dizer não, haveriam de ter noites bem rápidas, assim como aquelas  que antecedem um compromisso legal no dia seguinte. Também quereria uma noite mais curta caso pudesse  caminhar na  areia fresca da praia no dia seguinte.

Lendo esse texto, alguém pode pensar: E o trabalho, não se trabalharia?  Bem… claro que o relógio dependeria do trabalho de cada um, pois trabalho é igual a chapéu, cada um tem o seu e gosta ou não gosta.

O certo é que meu relógio teria um comportamento um tanto quanto irregular, como irregulares também somos muitos de nós: Ser ou não ser? Fazer ou não fazer? Ir ou não ir? Sei lá…entende?

#LecaHaine

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Leca Haine

Leca Haine é jornalista e dedicou-se ao serviço público (comunicação) durante 30 anos em Brasília/DF. Após alguns cursos de roteiro para TV e cinema, além de trabalhos publicados via Web, optou pela narrativa contemporânea em seu romance de estreia, “A Torre”, onde descreve o crescimento humano das personagens de forma surpreendente e inovadora. Atualmente, escreve o último livro de uma série de quatro volumes dedicados ao público infanto-juvenil a serem lançados a partir de 2016.

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