Minhas tatuagens e seus significados

Uma das coisas que mais acontece quando se faz uma tatuagem é receber milhares de perguntas. “Doeu muito?” “Qual o significado?” “Por que você fez isso?” “Não vai se arrepender?” “E quando você ficar velha?” Muitas dessas perguntas são irritantes e enchem o saco, principalmente quando você explica com a maior calma do mundo porque aquilo é importante para você e a pessoa faz cara de desdém. Não me importo nem um pouco de receber perguntas de pessoas que gostam do assunto e estão interessadas, mas não dou muita moral para quem pergunta só para criticar depois.

Todas as minhas tatuagens são bem pequenas. Senti um certo incômodo, mas não chega a ser dor. Cada ser humano sente dor de um jeito diferente e em lugares diferentes, mas comigo foi bem tranquilo. Quem fez todas as minhas tatuagens foi o Leo. Todas têm um significado importante para mim, mas existem pessoas que gostam de tatuar só porque acham o desenho bonito. Elas devem ser respeitadas também, tatuagem é uma obra de arte corporal e os motivos que levam uma pessoa a aderir variam. Não existe certo nem errado quando se trata de gosto.

Sim, ainda existe muito preconceito, mas eu prefiro acreditar que a sociedade esteja caminhando para um futuro mais justo e mais acolhedor das diferenças. Não é um rabisco na pele que define o caráter de alguém. Claro que é preciso ponderar as coisas: infelizmente, se na sua área tatuagens grandes não são bem vistas, você pode optar por tatuar quando estiver avançado na carreira, desistir da tatuagem ou tocar de emprego. É a vida.

1984

Essa aqui foi a minha primeiríssima tatuagem, embora eu tenha feito no mesmo dia que a segunda. É a mais visível, embora eu muitas vezes esqueça dela. Às vezes as pessoas me perguntam o significado, e só aí eu lembro que ela está ali. (rs)

1984 é o nome de um livro do George Orwell, e é um dos meus livros favoritos da vida. Li no ensino médio, por conta própria, quando estava começando a me interessar mais por clássicos e deixando os livros com apelo comercial jovem um pouco de lado. Meu pai me recomendou não só a leitura desse livro, mas me incentivou bastante a ler e a seguir com o curso de Letras.

Eu já considerei tatuar o lema do partido war is peace/freedom is slavery/ignorance is strength, mas não sabia exatamente onde, e talvez ficasse muito grande. Optei pelo título da obra porque acho muito auto-explicativo. Não só o título de um livro que me despertou o interesse pela leitura, 1984 é um lembrete diário de uma sociedade assustadora, porém real.

C.3.3

Essa é, até então, a tatuagem com significado mais importante para mim. Ela fica logo acima do seio esquerdo, então passa a maior parte do tempo coberta. Às vezes fica à mostra quando uso regatas ou blusas um pouco mais decotadas, o que chama um pouco a atenção. Gosto de poder mostrá-la, mas ao mesmo tempo, gosto de ser a única pessoa que olha pra ela todos os dias. Dá um sentimento de pertencimento e exclusividade, até porque eu não acredito que existam pessoas no mundo com a mesma tatuagem, no mesmo lugar.

C.3.3 era o número da cela do Oscar Wilde, meu escritor favorito, quando ele foi preso por homossexualidade em 1895. Wilde foi solto no dia 19 de maio de 1897, coincidentemente, exatamente 99 anos antes de eu nascer. Muitos escritores têm a vida pessoal fascinante, mas nenhuma me encantou tanto quanto a do Oscar Wilde. Ele teve que lutar, em plena era vitoriana, contra a censura de suas obras e a homofobia institucionalizada. Oscar está longe de ter sido o homem perfeito, mas sua luta representa um marco na história da literatura e dos direitos LGBT.

Flor-de-lis

Essa aqui é a minha tatuagem mais recente. Se depender de mim, muitas outras virão. Como todas as outras são escritas, ter o primeiro desenho gráfico na minha pele foi o máximo para mim. Também pensei durante meses e meses a respeito do desenho, tamanho e local.

A flor-de-lis representa inúmeras coisas, e uma delas é o símbolo do curso de Letras. Foi este o significado que eu escolhi para mim. O curso pode não ter o melhor investimento ou infraestrutura do mundo, ter inúmeros problemas, mas foi onde eu me encontrei. Mesmo se, por acaso, eu começar a trabalhar em outra área, nunca vou esquecer do que Letras me proporcionou: leituras ótimas, reflexões, amigos incríveis, professores inspiradores e a oportunidade de crescer como pessoa e como acadêmica.

 

Espero que vocês tenham gostado do post.

Beijos!

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