Crônica: Quando foi mesmo? – #LecaHaine

Quando foi mesmo, que comer passou a ser mecânico? Ouvir apenas o barulho da própria mastigação é tudo o que tenho? Sorrir e fazer elogios é apenas pró-forma? Assim como agradecer, pedir licença e tudo o mais.

Não sei quando foi que os planos cessaram, o brilho no olhar apagou. Não sei quando pensar em ir a uma festa deixou de ter graça e ficar em casa deitada passou a ser a melhor coisa a se fazer na vida.

Acredita? Até mesmo olhar o mapa e escolher um local para viajar deixou de ser interessante… talvez porque onde quer que se vá,  vou levar a bagagem do aqui e do agora junto.

Em que tempo deixei de acordar com pressa e pisar no chão frio porque não dava tempo calçar o chinelo já que havia tanto a viver. Bendito chinelo que hoje calço na maior calma do mundo. Pra que correr com o chinelo se os problemas e a falta deles estarão lá, depois da porta de quarto, sempre me esperando com a maior cara de pau desse mundo?

E quando foi mesmo, que conversar, tanto faz, como tanto fez, já que sei exatamente tudo o que todos vão dizer? E planejar, pra quê? Se o mundo só muda se todos mudarem, mas ninguém quer mudar de verdade?

Quando e onde, começou toda essa inércia que dizem vir com a idade, mas difícil de acreditar porque os poetas nunca a tem, ou será que nunca envelhecem? Seria eu, simples mortal, a sentir tudo isso sozinha enquanto todos os demais vivem intensamente até o fim?

Seria eu, exceção? A única sem tempo para mim e para as minhas coisas tão simplesinhas?

Seria?

 

#LecaHaine

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Leca Haine

Leca Haine é jornalista e dedicou-se ao serviço público (comunicação) durante 30 anos em Brasília/DF. Após alguns cursos de roteiro para TV e cinema, além de trabalhos publicados via Web, optou pela narrativa contemporânea em seu romance de estreia, “A Torre”, onde descreve o crescimento humano das personagens de forma surpreendente e inovadora. Atualmente, escreve o último livro de uma série de quatro volumes dedicados ao público infanto-juvenil a serem lançados a partir de 2016.

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