Crônica: A saia rosa – #LecaHaine

Eu tinha zero de ânimo naquela hora. Zero de tudo, aliás. Nada de grana na bolsa e muita tristeza na mente. Apenas uma vontade muito grande de sentar e chorar. Queria chorar sozinha, sem ninguém pra me olhar. Meu quarto, tão longe, e eu ali, na Rodoviária do Plano. Queria um buraco onde pudesse entrar e ficar. E o ônibus que não chegava… e a fila que só aumentava.

Ainda bem que não me olhavam e não me notavam. Chegou o baú. Um casal de namorados sentou-se à minha frente. A cada carinho entre os dois, mais uma lágrima rolava quente e ardida. Melhor olhar pela janela e tentar me distrair. Foi pior: Pareceu que naquele dia só tinha gente feliz na rua.

E se aquele carinha não fosse ele? E mesmo se fosse, não tinha sorrido de mim, como pareceu. E se, de repente, ele sorriu sim, mas de sem graça, apenas para agradar a amiga ao seu lado?

Olhei para minha saia rosa. Sabia que deveria ter caprichado mais na roupa que iria vestir. Mas o que fazer diante de um guarda roupa tão restrito?

Pensei que se eu tivesse me dado uma chance, ele teria gostado de mim. Pensei que poderíamos ser igual ao casal de namorados do banco da frente. Tanta coisa pensei, mas não fiz nada. Não cheguei até ele e disse: oi, eu sou a fulana, a garota da saia rosa que marcou encontro com você. E ele poderia ter dito: Prazer, eu estava mesmo te esperando. Essa é minha amiga, sicrana de tal. Aí, a sicrana fingiria uma desculpa qualquer para ir embora e nos deixaria juntos. Qual! Não tive coragem de testar. Tão logo o vi acompanhado, fugi. Fugi com medo do que viria, do que poderia acontecer. Acho que fugi do medo de ser feliz, de sair da minha vida inútil. Ou, quem sabe, fugi apenas porque estava com aquela bendita saia rosa.

#LecaHaine

 

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