Isto é só uma fase. Mas e daí?

PHASEDecidi escrever este post como um manifesto à tão conhecida frase “Isto é só uma fase” e ao estigma em torno dela.

O intuito deste texto não é apenas se referir a orientações sexuais, embora seja inevitável tomar como referência a imagem do senhor ao lado. Em tradução livre: “82 anos (e nove meses) sendo GAY! Mas talvez seja apenas uma fase a qual eu esteja passando.” Como protesto a um sistema heteronormativo que busca invalidar as relações homossexuais, tomando-as apenas como fases, soa adequado. Mas, o que muitas pessoas, incluindo homossexuais, parecem esquecer, é que fase não é e nunca foi sinônimo de “ruim”.

Sexualidade é algo muito fluido. Embora muitos tentem classificá-la como três opções (homo, hétero, bi), e outros em escalas de zero a dez (como a escala Kinsey, de zero a seis), na verdade, a sexualidade humana está muito mais propensa a ser representada como em um plano cartesiano. Por que eu estou dizendo isso? Simples. A escala Kinsey assume que todos os indivíduos dentro desta possuem atração sexual, e os que estão fora são completamente assexuais. Mas isso invalida a sexualidade dos demissexuais (que não são atraídos pela Demi Lovato) e dos gray-A.

Para um indivíduo demissexual (que só sente atração sexual após ligação emocional com o indivíduo) ou gray-A (que oscila entre períodos de assexualidade ou sexualidade), sexualidade pode ser SIM uma fase. E que mal há nisso? Por acaso eles precisam se encaixar entre uma das “normas vigentes” para se adequarem?

Saindo um pouco do assunto atração sexual, há também a identidade de gênero, vista por muitos como o sistema binário homem-mulher. Existem pessoas que não se identificam com este sistema, sendo chamados de genderqueers. Existem diversas formas de se expressar o próprio gênero, sendo uma delas a mudança contínua entre gêneros masculino e feminino. Epa, espera aí! Esta definição também pode ser enquadrada em “isto é só uma fase”. Mas e daí?

Com isto, quero dedicar todo o meu apoio à militância LGBTQ, mas ao mesmo tempo, dar um alerta: tome cuidado e veja se o seu discurso, embora bem intencionado, não atinge outros grupos oprimidos.

Minha dica é: em vez de tentar provar a todo custo que o que você sente não é uma fase, proclame: fase ou não, o que eu sinto é real e merece respeito! Pelo direito de mudar, se redescobrir e aprender mais consigo mesmo, sem nenhuma forma de opressão.

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Carolina Haine

22 anos, licenciada em Letras Inglês, designer e diagramadora de livros. Não vive sem o Evernote, uma caneca de chá e, claro, seus óculos de grau.

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