Considerações pessoais sobre literatura

1. Sobre literatura

A literatura em si é arte. Embora algumas pessoas possam não considerar seu estudo como arte, sua função é colocar em palavras o que há na alma do artista. Esta definição pode ser encontrada nas Artes Visuais, na Música, no Teatro, e em diferentes manifestações artísticas.

Muito se discute sobre o que pode ser ou não considerado literatura. Considera-se literatura todo e qualquer texto em prosa ou poesia de ficção, cujo objetivo é puramente estético. Compreender a não-ficção e seus atributos é questionável, visto que alguns gêneros textuais parecem ser facilmente inclusos, como o ensaio e a biografia. O texto jornalístico e o artigo científico, por exemplo, não costumam ser abrangidos por estudos literários, salvo circunstâncias específicas (como o jornalismo literário).

2. O estudo de literatura

Um exemplo perfeito da palavra subestimada. Este estudo, em sua forma mais palpável, está sendo deixado a apenas estudantes de pós-graduação que eventualmente tenham escolhido este ramo como principal objeto de estudo. Nem mesmo estudantes de graduação de Letras estão levando o estudo literário à sério. De acordo com o que tenho visto até agora, estudando Letras – Inglês na Universidade de Brasília durante três semestres, a maior parte de seus estudantes escolheu a Linguística Aplicada como principal área de atuação. Contudo, esta escolha faz com que muitos pensem que os estudos literários são de nenhuma utilidade a eles, mesmo que, na verdade, estes tomem metade de seus cursos.

Em escolas de ensino médio, a literatura é vista como um complemento da aula de História. Embora contextualizar movimentos literários em seus respectivos períodos históricos seja uma ferramenta de aprendizado eficaz, não é a única maneira de estudo com a qual estudantes deveriam entrar em contato. Ver a literatura apenas como algo referente a uma determinada época jamais fará com que os alunos se sintam conectados com a matéria, e esta permanecerá esquecida.

O estudo de literatura contemporânea é deficiente e praticamente inexiste, visto que muitos profissionais da área possuem a mente retrógrada e não se preocupam em estimular em seus pupilos o prazer da leitura. Com isto, muitos dos profissionais de Letras acabam frustrados, gerando um ciclo vicioso.

3. Seu valor

Literatura não é uma ciência. O seu estudo, ao contrário de fenômenos linguísticos, foca nos registros e situações passadas. Descobertas linguísticas costumam mudar a forma como é visto o estudo de determinadas línguas. Dessa forma, estudos antigos e desatualizados são apenas úteis para o estudo da linguística histórica. Visa-se explicar o funcionamento das línguas de hoje com o que era dito no passado, mas já não está mais em vigor.

A literatura não funciona assim. Um estudo iniciado no passado pode até ser visto como certa influência às tendências literárias no presente, mas seus registros e diretrizes dizem respeito apenas a determinado período do qual faz parte. Como muito do que já foi produzido se perde, é também papel da literatura buscar resgatar tais obras. Uma obra, por exemplo, nunca terá seu estudo definitivo, tampouco seu autor ou o movimento literário do qual fez parte. Por não ser exatamente palpável, o estudo literário é visto por muitos estudantes de línguas como defeituoso ou incompreensível.

Este estudo não deveria ser deixado apenas a historiadores. Registrar o tempo e as manifestações culturais da humanidade são muito úteis para os estudos antropológicos e psicológicos. A habilidade de contar histórias é, até então, restrita aos seres humanos, e pode levar a diferentes campos de pesquisa.

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Carolina Haine

22 anos, licenciada em Letras Inglês, designer e diagramadora de livros. Não vive sem o Evernote, uma caneca de chá e, claro, seus óculos de grau.

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